Por Ruan Pablo
Era uma tarde de outubro de 2023, e minha missão naquele dia era simples: registrar as pichações na Ponte Governador Agamenon Magalhães para uma matéria do caderno Vida Urbana, do Diario de Pernambuco, referente aos gastos em torno da revitalização de monumentos pichados no Recife. Fotografar para essa matéria, naquele momento, me gerou algumas sensações acerca do Recife, cidade onde nasci e me criei, e do meu trabalho enquanto artista e fotojornalista.
Ali, na imagem que tentava capturar, invadia o quadro seu José, preparando sua rede de pesca para ir em busca do que o Capibaribe poderia lhe entregar naquele dia. Enquanto clicava, eu lembrava dos meus primeiros passos na fotografia, quando ainda era voluntário na equipe de comunicação da Associação Gris Espaço Solidário, onde começava a entender a fotografia como um caminho profissional possível, mas já tinha a certeza de que ela era um meio pelo qual se podia contar histórias, propor discussões e imaginar futuros possíveis.
Fiquei mais tempo do que o esperado naquele lugar. Deixei o momento, as inquietações e a contemplação da vida que acontecia diante dos meus olhos guiarem meu trabalho. A foto da estrutura pichada foi para a matéria à qual estava destinada; a foto do Recife, ou pelo menos de uma pequena fração do que é essa cidade multifacetada, tornou-se meu primeiro trabalho a compor uma exposição que marcou a reabertura da sala de exposição “Alcir Lacerda”, na Torre Malakoff.
As fotos desse dia se transformaram em uma série de imagens, das quais duas integraram, ao lado de outros trabalhos, a exposição Novos Voos, produzida pelo curso de fotografia da Universidade Católica de Pernambuco junto aos estudantes concluintes daquele ano, do qual eu fazia parte, e que propunha criar um diálogo entre a obra do grande fotógrafo pernambucano Alcir Lacerda e os trabalhos de uma nova geração de artistas da imagem.

Foto: Ruan Pablo





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