Comemorar 20 anos da Arte Plural é um exercício de memória e projeção que articula a passagem do tempo como estímulo para redimensionar as noções de passado, presente e futuro a partir do entendimento da criação autoral como um campo de fluxo contínuo em constante reformulação. É perceber que as “tendências” do início do século XXI (quando a galeria foi inaugurada em 2005) já derreteram e foram substituídas até mesmo por aquilo que era considerado ultrapassado.
A arte tem movimentos cíclicos, pois experimentos, temáticas, técnicas, estilos e inquietações podem retornar de novas formas a cada época. É como se a “História da Arte” não tivesse um começo, um meio ou um fim definidos, mas vários inícios, finais e reinícios.
Para além do campo cultural, essa alegoria serve também para os rumos das sociedades, já que posturas políticas e comportamentais surgem, adormecem e ressurgem a cada período histórico e nunca devem ser dadas como mortas. A ideia de coexistência entre tempos distintos faz mais sentido.
Já havia artistas antes de inventarem essa palavra. A beleza plástica já estava presente, por exemplo, nas pinturas e gravuras rupestres do Parque Nacional do Catimbau e da Terra Indígena Kapinawá, criadas há mais de seis mil anos, muito anteriormente ao surgimento de qualquer tipo de categorização estética, quando as noções clássicas ou modernas nem sequer existiam. São inclassificáveis. Noções de “contemporânea”, “primitiva” ou “vanguardista” só servem a sistemas acadêmicos ou de mercado e são muito problematizáveis diante da complexidade da arte em si, ainda mais em tempos de repatriações e reparações.
O que era velho em determinada época se torna novo depois, indeterminadamente. O mundo vira e revira. Dá voltas. A Terra é redonda, sempre bom lembrar. A arte também gira e corre para vários lados, como uma bola colorida que reluz entre tacadas e caçapas em uma mesa de sinuca.





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