
Foto: Roberta Guimarães
Ibeji
Fui à Buscada de São Gonçalo, procissão marítima de Pernambuco (hoje, com mais de 165 anos). O ano preciso não me lembro, é provável que tenha sido entre 1980 e 1985. A buscada aconteceu no rio Timbó, em Nova Cruz, município de Itapissuma. A procissão iria levar a imagem do santo, padroeiro de Itapissuma, para a Ilha de Itamaracá. O público esperava a saída do santo, e eu circulava entre os fiéis desejosos de ver a condução de São Gonçalo, conhecido como protetor dos pescadores mas também como santo casamenteiro. Dizem que quem alcança os cravos que estão em torno dele consegue se casar. Porém, as mãos que estão na imagem não buscavam os cravos, elas estavam unidas na resiliência das irmãs gêmeas Cosme e Damiana, que na época da foto já somavam mais de cem anos. As mãos, entrelaçadas como raízes, foram a primeira imagem que vi. Só depois observei o rosto das duas. Conversando com a neta delas, soube que, mesmo sem ter mais a visão, as gêmeas faziam questão de estar presentes na Buscada de São Gonçalo do Amarante.






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