Por Cleodon Coelho
Um dos maiores atores do Brasil, Marco Nanini estará de volta ao seu Recife natal nos próximos dias 23 a 26 de julho, no Teatro Luiz Mendonça, com o espetáculo “Fim de Partida”, do irlandês Samuel Beckett. A peça, que já teve outras versões com o título de “Fim de Jogo”, incluindo a memorável montagem local de João Denys nos anos 1980, chega agora sob a direção de Rodrigo Portella, nome dos mais celebrados da atualidade, cujo trabalho os pernambucanos puderam conferir em “Tom na Fazenda”, com Armando Babaioff, e “Ficcões”, com Vera Holtz.
Nos últimos anos, Nanini tem vindo com frequência à cidade onde nasceu. Em 2024, no Teatro do Parque, foi o grande homenageado do Festival Recife do Teatro Nacional, que teve o espetáculo “Traidor”, segunda parceria do ator com o encenador Gerald Thomas, entre os destaques da programação. Ano passado, trouxe a mesma peça para uma nova temporada, desta vez no próprio Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu.
Em “Fim de Partida”, ele contracena com Guilherme Weber, Helena Ignez (a grande musa do cinema marginal) e Ary França. Escrito sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, o texto é um dos marcos da dramaturgia de Beckett e de sua investigação sobre o absurdo da existência. A tradução desta versão é assinada por Fábio de Souza Andrade.

Em um cenário pós-apocalíptico, o autor apresenta os personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Em cena, eles possuem uma trágica dependência física e emocional, em um vínculo marcado pela violência e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida e melancólica. Presas em um espaço claustrofóbico, as personagens enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.
“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite", explica Nanini, que já pensava em encenar algum texto do autor irlandês quando aceitou a provocação de Guilherme Weber, responsável pela sugestão para atuarem juntos em “Fim de Partida”. Os dois já haviam dividido a cena em “Os Solitários”, em 2002, e em “A Morte do Caixeiro Viajante”, dois anos depois.
Em conversa com a Revista Araçá, o ator pernambucano - que marcou a vida dos brasileiros como o Lineu do seriado “A Grande Família”, ao longo de 14 anos - fala sobre a atualidade do texto de Beckett e lembra quais foram seus parceiros inesquecíveis. Confiram!

Revista Araçá – Como você faz suas escolhas teatrais? Está recém-saído de um projeto com Gerald Thomas e encarando um clássico de Beckett...
Marco Nanini – Minhas escolhas são sempre norteadas pelas possibilidades que o projeto traz. Pode ser pelo tema, artistas parceiros, personagens…
Como é para você encenar um texto tão profundo e marcante como “Fim de Partida” em uma época em que a maioria de seus colegas apela para abordagens superficiais, de riso imediato?
Acho que em um momento com tanta desinformação, ou melhor, informações forjadas, nós artistas devemos levar ao público algo que provoque uma reflexão sobre questões que são inerentes à condição humana.
Ao longo de sua trajetória, há muitos trabalhos marcantes no palco, no cinema, nas TV... O que ainda falta realizar? Tem algum projeto que nunca fez e sonha em fazer?
Os projetos vão surgindo entre desejos e trocas com outros artistas. No momento, estamos criando um novo espetáculo com crônicas e canções.
Como alguém nascido em Pernambuco, existe um gostinho especial em se apresentar no Recife?
Nasci no Recife, mas logo cedo me mudei para Manaus. Porém, Pernambuco tem uma cultura e hábitos tão fortes, que foram impregnando em mim através das histórias e influências de minha mãe, Cecy, de uma tia e da minha avó. Quando chego ao Recife, sou tomado por uma mistura deliciosa e nostálgica da cultura pernambucana.
Nessa peça, “Fim de Partida”, você contracena com Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França. Tem nomes do teatro com quem você ainda gostaria de trabalhar?
Ah, são muitos os artistas que admiro e não tive a oportunidade de contracenar.
Quem foram seus parceiros de palco inesquecíveis?
Dercy Gonçalves, Afonso Stuart, Marieta Severo, Ney Latorraca, Juliana Carneiro da Cunha, Marília Pêra e Camilla Amado. Tive muita sorte.



















































































































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