Para entrar em campo em alto e bom som

11 jun 2026 | 0 comentários

Wilson Simonal eternizou “Aqui é o País do Futebol” na Copa de 1970. Foto: Acervo pessoal

Por Cleodon Coelho

Música e futebol sempre correram lado a lado. E quando é época de Copa, essa dobradinha dá ainda mais o que falar. Ou melhor, o que cantar. Afinal, desde 1958, quando a marchinha "A Taça do Mundo é Nossa", de autoria de Wagner Maugéri, Lauro Müller, Maugéri Sobrinho e Victor Dagô, eternizada pelo grupo vocal Titulares do Ritmo, ganhou as rádios para coroar a primeira conquista brasileira, muitos hits marcaram os campeonatos. Para 2026, o paulista Thiaguinho já pode ser ouvido nas chamadas da Globo em "Vencedor", composta por ele em parceria com Gaab, e a pernambucana Letícia Bastos acaba de lançar "O Brasil Tá em Alta", duas canções que engrossam o coro da torcida na chegada de mais um campeonato mundial.

"Escrevi 'O Brasil Tá em Alta' a partir de observações minhas nos últimos anos. De repente, o mundo inteiro começou a olhar para o Brasil de um jeito diferente. A gente vê estrangeiros usando camisa da Seleção, usando sandálias Havaianas, ouvindo música brasileira, dançando os nossos ritmos, querendo conhecer a nossa cultura. E isso me fez pensar: 'Será que a gente está percebendo o quanto o Brasil está em alta?'", observa Letícia. A música combina a sonoridade da tríade forrozeira, formada por sanfona, zabumba e triângulo, com guitarra, baixo e toques eletrônicos para misturar tradição e contemporaneidade.  "Olha a ola aí, vem que tá massa”, diz um dos trechos da letra.

A cantora pernambucana Letícia Bastos lança “O Brasil Tá em Alta”. Foto: Divulgação

Sediando pela terceira vez uma Copa do Mundo (agora, ao lado do Canadá e dos Estados Unidos), o México tem um papel especial em qualquer playlist futebolística. O país norte-americano já inspirou álbuns e canções ao longo dos anos. Em 1970, Wilson Simonal lançou "México 70", que trazia entre as faixas a bela "Aqui é o País do Futebol", de Milton Nascimento e Fernando Brant. Feita para o filme "Tostão - A Fera de Ouro", que contava a trajetória do craque mineiro, um dos grandes destaques da Seleção Brasileira na conquista do tricampeonato, e em cuja trilha era cantada pelo próprio Milton, a música ganhou várias versões ao longo dos anos. Elis Regina e Ellen Oléria estão entre as vozes que já entoaram os versos "Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão, aqui é o país do futebol".

Mas a Copa de 1970 foi marcada mesmo pela ufanista "Pra Frente, Brasil". Com a então inédita transmissão dos jogos pela TV, a Globo - ainda em fase de consolidação - fez um concurso para escolher um tema musical. Em plena ditadura, a letra de Miguel Gustavo venceu a disputa celebrando o progresso e a unidade nacional, algo que o regime militar também apregoava. "De repente é aquela corrente pra frente / Parece que todo o Brasil deu a mão / Todos ligados na mesma emoção / Tudo é um só coração", cantava o coral que gravou a canção.

Já em 1986, quando o México voltou a sediar uma Copa, foi a vez de a diva Gal Costa emprestar sua voz para o jingle "70 Neles", para a campanha da marca de cigarros Hollywood. Como o título indica, a música de Antônio Edgar Gianullo e Vicente de Paula Salvia evocava a conquista do tricampeonato, com os versos "Vai começar de novo / É novamente tempo de paixão / Prepare o coração, bate pé / É Brasil outra vez com a bola no pé". De tanto tocar nos intervalos comerciais, a música é mais lembrada que "Mexicoração", de Michael Sullivan, Paulo Massadas e Luís Campos, lançada na mesma época pela Globo, o canal oficial da transmissão dos jogos.

Pouco antes, na Copa de 1982, realizada na Espanha, foi a voz de um dos próprios jogadores da Seleção Canarinho que marcou a disputa. O lateral-esquerdo Júnior caiu na boca do povo ao gravar a música "Povo Feliz", que é mais lembrada pelo seu verso inicial: "Voa, Canarinho, voa". No mesmo ano, Luiz Ayrão lançou "Meu Canarinho", que também fez sucesso nas rádios. E Moraes Moreira atacou de "Sangue, Suingue e Cintura", que homenageava os craques Pelé, Garrincha, Sócrates e o "Galinho" Zico.

Ivete Sangalo marcou a Copa de 2002 com o megahit “Festa”. Foto: Acervo Pessoal

Enquanto algumas Copas contaram com músicas especialmente compostas, a de 2002, que rendeu o pentacampeonato ao Brasil, será eternamente lembrada por dois hits populares. "Festa", de Ivete Sangalo", e "Deixa a Vida Me Levar", de Zeca Pagodinho, viraram símbolo da euforia que tomou conta do Brasil na manhã de 30 de junho, um domingo, quando o nosso país derrotou a Alemanha por 2 a 0 no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão. De um lado, a galera cantava: "Tem gente de toda cor / Tem raça de toda fé". E logo emendava: "Deixa a vida me levar / Vida, leva eu / Sou feliz e agradeço / Por tudo que Deus me deu". E novamente vai rolar a festa, a partir de sábado (13), quando o Brasil entra em campo, em busca do tão sonhado hexa.


Cleodon Coelho é jornalista, pesquisador e biógrafo.

Busca nas Edições

As mais acessadas

Agenda

junho

19junDia Inteiro Evento RecorrenteNa torcida com Marcelo D2

20junDia InteiroEvento RecorrenteBalancê sinfônico no Sítio Trindade

0 Comentários

Enviar um Comentário

Todas as Edições

Explore também outras edições da Revista Araçá e descubra novos olhares, temas e narrativas que expressam nossa proposta editorial. Cada edição reúne conteúdos exclusivos organizados por seção, ampliando o debate cultural e aprofundando diferentes perspectivas. Escolha a edição em que deseja navegar e mergulhe nas histórias, reflexões e experiências que compõem o universo da Revista Araçá.