Ex-alunos e alunas falam sobre a influência de Carrero em seu trabalho
Raimundo Carrero cruzou a ponte da noite secreta. Fico tranquilo: sei que mandará notícias de lá por longas cartas. Daqui sentiremos falta da sua pena, fragmento da asa que mais alto voou. As letras em Carrero têm sotaque. Foi ele quem me ensinou a ler em português pernambucano. Frases ágeis, fala corrida de quem vem do interior. Agradeço demais. Agora ele cruza a ponte com luzes amarelas e olhando daqui é mesmo a mesma criança dançando no terreiro. Valeu, Professor.
Juliano Holanda, músico
A obra de Raimundo Carrero é um tratado do que significa ser humano, e em cada livro encontramos uma carta de amor à humanidade. Nem sempre é fácil amar, sobretudo, quando nos deparamos com a aspereza, injustiças, horrores, com a rigidez ( no sentido de termos os corações endurecidos), e Carrero trouxe em sua obra justamente os injustiçados, os esquecidos, os malfadados e mal-amados, os degredados deste mundo.
Observou da brecha, dentro do coração humano, ainda o que há de mais delicado e sutil, aquilo “que não confessamos nem à própria alma”, “o que há entre o suor e a pele”, como costumava dizer, os sentimentos mais recônditos que podem conter o magnifico e o terrível, naquilo que vem a ser o sublime.
Deixa uma obra magistral que merece ser estudada, ainda mais reconhecida e difundida.
Conceição Rodrigues, escritora
Tenho a certeza que um escritor, do tamanho de Carrero, não vai embora, ele vira letra, frase, prosa e poesia. Ele fica para sempre, nos livros, nas histórias, na vida da gente. Ele está. Ele é. Ele dizia: não fale, mostre. E eu tenho certeza que ele estará sempre se amostrando. Nas prateleiras e em todos nós que passamos pelas suas oficinas. Comecei com Carrero em outra vida, lá em 2007. Das oficinas saíram grandes amigos. E tantos amigos de amigos. Carrero é um elo literário. Uma corda que une os escritores e leitores contemporâneos que foram amarrados por suas palavras. Transformou a vida em palavras amontoadas para provocar sentimentos; estudava a literatura, desvendava as vírgulas; tinha os melhores títulos; um mestre em transformar vida, notícias, causos, em literatura, em expor, transgredir, cortar, transformar, editar. E ensinar. Sobretudo, ensinar. Carrero mudou a literatura contemporânea. Com poucos adjetivos, sem as muletas dos advérbios. Carrero sempre será substantivo, sempre será verbo em ação em um cena escrita por uma legião de pessoas que acordaram com menos graça no dia de hoje. E que seguirão lendo. Escrevendo. Cortando. Desfazendo. Refazendo.
Ainda bem que temos as lembranças. E os livros. Muitas histórias. E a contraprova de que o amor pode sim, ter bons sentimentos.





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