Os direitos de publicação da obra de Miró foram adquiridos pela Cepe Editora enquanto o poeta lutava contra o câncer. O dinheiro ajudou no tratamento e nos cuidados do poeta, mas o reconhecimento da importância de seu trabalho foi muito importante para a autoestima de Miró e garantiu que sua obra tivesse um plano de continuidade que muitos poetas não tiveram. Em entrevista exclusiva para a Revista Araçá, o editor Diogo Guedes fala sobre a importância de Miró para o catálogo da Cepe e antecipa detalhes sobre novas publicações.
Revista Araçá ー Miró tem um dos best seller da Cepe, Miró até agora, editado por Sennor Ramos, que cobre a poesia dele até 2012. Pode-se dizer que é um long-seller da editora?
Diogo Guedes 一 Miró até agora é um dos mais importantes títulos do nosso catálogo, não só por sua vendagem: a contribuição de Miró e de sua poesia para o caminhar da editora é enorme. Miró é um dos grandes poetas brasileiros, e não só como poeta-declamador, sua faceta mais exaltada. A continuidade da circulação e do fascínio despertado prova que sua escrita ressoa e impacta em todos os formatos: livros, vídeos, novas declamações, peças. Se os recitais de Miró são inesquecíveis, as páginas de seus livros são mesas e cadeiras e calçadas e palcos.
A Cepe vai publicar algo mais de Miró? Há material inédito?
A Cepe tem planos para continuar publicando sua obra. Além de “Atchim!” e “Miró até agora”, trabalhamos em uma poesia reunida de Miró, com poemas que ficaram da antologia anterior, obras posteriores publicadas em livro e inéditos. Há alguns conjuntos de poemas pensados para livros e envelopes, feitos com unidade, e também avulsos inéditos, reunidos de vídeos e anotações pontuais.
Os direitos foram adquiridos com Miró em vida e ajudaram no tratamento dele. Você vê a Cepe como uma espécie de guardiã da obra dele?
A Cepe sempre buscou estar junto de Miró, e sempre acreditou na sua poesia. Vejo Miró com vários guardiões — talvez cada leitor/admirador seja um responsável por manter sua obra, cada pessoa que salva um vídeo e o compartilha em redes sociais, os que continuam a promover novas leituras, públicas ou privadas. Ainda assim, vale destacar, com o risco de cometer injustiças, nomes como Wellington de Melo, curador da sua obra, Wilson Freire, Sennor Ramos, Cida Pedrosa, Túlio Velho Barreto etc.
E a Cepe continua investindo nas criações de Miró. Além dos planos para a poesia reunida, editamos em 2025 a biografia dele, feita por Wellington de Melo, fundamental para contextualizar a sua trajetória e marcar sua importância na poesia nacional. A ideia é também continuar trabalhando, em coletâneas ou outros projetos, diferentes abordagens para a sua obra.


















































































































































































0 Comentários