Por Pedro Cunha
Na chapa da Padaria Imperatriz, Maria de Fátima Garcia ainda prepara os mesmos sanduíches de quando quase não havia espaço para passar pela rua homônima do lado de fora. Há 30 anos, ela via o balcão disputado, mesas cheias e uma multidão passando diariamente naquele pedaço do bairro da Boa Vista. Hoje, aos 67 de idade, consegue olhar da padaria para uma sequência de portas fechadas. Algumas fachadas permanecem, os casarios continuam de pé e a rua ainda carrega no nome uma imperatriz do século 19. O que desapareceu aos poucos foi a cidade que acontecia entre eles. "Como eu queria ver minha chapa lotada de novo!", suspira a portuguesa, com os olhos marejados pela saudade.

Na mesma via, outras lembranças sobrevivem ao mesmo esvaziamento. Para a dona de casa Maria Marlene, 62, a Imperatriz era a rua das vitrines e dos passeios pelo Centro; para a aposentada Dolores Pessoa, 77, uma espécie de shopping sem teto, onde se vinha com a família e andar fazia parte do programa. Memórias como essas ajudam a explicar por que tratar a Rua da Imperatriz apenas como um corredor comercial empobrecido seria contar só uma parte de sua história. Inserida em uma área de preservação rigorosa, ela guarda prédios, uma casa tombada nacionalmente, uma igreja histórica e um estabelecimento com 129 anos de funcionamento que, embora reconhecido pelo poder público como lugar de memória afetiva, não possui proteção patrimonial individual.
É nessa paisagem que os carros devem voltar a circular em setembro, quase meio século depois de terem sido retirados para dar espaço aos pedestres que então lotavam a via. A inversão é difícil de ignorar: antes, havia gente demais e os automóveis precisaram sair; agora, diante da rua esvaziada, aposta-se na volta deles para tentar trazer as pessoas novamente. A medida foi anunciada pela Prefeitura do Recife após uma mobilização da Associação dos Proprietários de Imóveis da Rua da Imperatriz, a Impera. A expectativa é de que a circulação de veículos ajude a interromper uma decadência que persiste há décadas. Segundo a entidade, em 30 anos o número de lojas em funcionamento caiu de 83 para 14. Ao todo, a rua possui 103 imóveis. A mudança pode devolver movimento ao endereço, mas deixa uma pergunta maior para uma via histórica: colocar carros na Imperatriz será suficiente para fazer o recifense voltar a vivê-la?

Quando a própria rua era o destino
A história da Imperatriz antecede o nome pelo qual ela se tornou conhecida. A via tem origem em um aterro realizado em meados do século 18 e foi sendo ocupada gradativamente por construções que reproduziam uma característica comum à cidade daquele período: comércio no térreo e moradia nos pavimentos superiores. A combinação fazia com que trabalho, consumo e vida doméstica compartilhassem o mesmo espaço urbano.
Presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, o historiador George Cabral lembra que essa configuração foi determinante para a vitalidade que a rua adquiriria. “Essa combinação entre moradia e comércio fazia com que a rua tivesse vida ao longo do dia. As pessoas não estavam ali apenas para comprar ou passar, elas habitavam aquele espaço e construíam relações com ele”, explica. "Essa diversidade de usos ajuda a entender por que a Imperatriz se tornou um espaço tão importante para a vida do Recife”.
Antes chamada de Rosa e Silva, a Rua da Imperatriz Tereza Cristina ganhou o nome em homenagem à mulher de Dom Pedro II, que visitou o Recife em 1850. Ao longo de sua história, recebeu bondes, automóveis, multidões, grandes estabelecimentos e também o carnaval. Tornou-se uma das vias mais movimentadas da Boa Vista e, nos anos 1970, chegou ao ponto de ser fechada aos veículos para acomodar melhor o fluxo de pessoas.
No século 20, segundo Cabral, a Imperatriz dividia com a Rua Nova uma posição privilegiada na vida urbana. "As duas ruas tinham o que havia de mais moderno no comércio da cidade. A Imperatriz também foi uma passarela importante para o carnaval. Sempre teve muito movimento, era um espaço de convivência."
Horácio Amorim, um dos proprietários da Padaria Imperatriz, ainda guarda imagens da infância e da juventude naquele Centro. "Você não conseguia transitar pela rua de tanta gente. O shopping center da cidade naquela época era a Rua da Imperatriz, era o centro da cidade. As lojas tinham vitrines, o pessoal caminhava aqui para ver tudo isso acontecendo."
A lista de estabelecimentos que Horácio recupera de memória funciona hoje quase como uma arqueologia do Recife de outrora. Havia lojas de roupas e tecidos, como as Casas Zé Araújo e Pernambucanas, bancos e grandes varejistas. Mais do que concentrar compras, a Imperatriz fazia parte de um Centro que reunia trabalho, transporte, serviços públicos, lazer e encontro.
O Recife, avalia Horácio, mudou de direção. "Grandes lojas migraram para shopping centers, repartições públicas deixaram a área central, linhas de ônibus foram reorganizadas com a implantação dos terminais integrados, o comércio eletrônico alterou hábitos de consumo e a insegurança passou a pesar na decisão de quem escolhe circular pela região", pontua. "A perda não aconteceu de uma vez. Foi diminuindo até chegar à situação em que estamos hoje." A pandemia, acrescenta ele, aprofundou uma crise que já estava instalada. A Padaria Imperatriz permaneceu fechada por três meses e muitos estabelecimentos vizinhos nunca mais levantaram as portas.
Maria Marlene e Dolores Pessoa reconhecem essa mudança à sua maneira: não como lojas que fecharam, mas como um Centro onde havia prazer em estar, um sentido de passeio que foi sendo transferido para ambientes fechados. As duas pertencem a uma geração para a qual a rua funcionava como espaço de convivência, o que ajuda a compreender o tamanho do desafio atual: recuperar a Imperatriz não significa apenas preencher imóveis vazios, mas reconstruir uma relação entre o recifense e uma parte da cidade da qual ele progressivamente se afastou.
Proteção para a rua, mas não para todas as suas histórias
A decadência do movimento não significa ausência de valor patrimonial. A Rua da Imperatriz está inserida no Setor de Preservação Rigorosa, o SPR-01, da Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural da Boa Vista, a ZEPH-08. Trata-se, portanto, de um trecho submetido a regras específicas de preservação por integrar uma paisagem urbana de interesse histórico. Essa condição, porém, não significa que seus imóveis tenham individualmente o mesmo tipo de proteção. Segundo informações da Prefeitura do Recife, apenas um deles, situado na esquina, é classificado como Imóvel Especial de Preservação, além da Igreja Matriz da Boa Vista.
Entre os endereços que ajudam a dimensionar a importância histórica da rua está o número 147, onde nasceu Joaquim Nabuco. A casa foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, em agosto de 1949, e também possui proteção estadual. Sua presença acrescenta outra camada à história da Imperatriz, cercada por edificações e referências de diferentes momentos da Boa Vista. Algumas receberam instrumentos formais de proteção; outras permaneceram ligadas à memória da cidade principalmente pelos usos, pelas pessoas e pelas histórias acumuladas ao longo do tempo.
Para George Cabral, a noção de patrimônio ultrapassa os limites físicos das edificações. “Os modos de viver a cidade são parte da sua memória histórica, do seu patrimônio compartilhado. As formas de ver e viver a rua, as experiências que acontecem nela, tudo isso também tem significado patrimonial. Patrimônio não é apenas construção, pedra e cal. Vai além: inclui as vivências e aquilo que foi vivido.”
É nesse segundo campo que a Padaria Imperatriz ganha força. O estabelecimento não é tombado, mas funciona há 129 anos dentro de uma área de preservação rigorosa e já recebeu do poder público um reconhecimento ligado à memória do Recife. A padaria integra o projeto Lugares Afetivos, voltado a estabelecimentos que construíram vínculos com a história cotidiana do Centro. A prefeitura também a identifica como espaço de relevância histórica e cultural. O seu valor, portanto, é reconhecido, mas não há uma proteção patrimonial individual. A diferença abre uma questão que ultrapassa a burocracia: como um estabelecimento com mais de um século de funcionamento, sobrevivente de sucessivas transformações do Centro e reconhecido como lugar afetivo, ainda não recebeu uma salvaguarda específica?
A padaria que atravessou três séculos
Fundada em 1897, a Padaria Imperatriz é apontada como o segundo CNPJ em funcionamento mais antigo do Recife. A família de Horácio está ligada ao estabelecimento desde 1950, mas sua história começou antes e com outro nome. Quando foi fundada, ela se chamava Padaria Japonesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, segundo a memória preservada pela família, o estabelecimento mudou de nome no contexto das restrições do governo Getúlio Vargas a referências aos países que integravam o Eixo. Por volta de 1942, passou a carregar o nome da própria rua.
Décadas depois, a casa recebeu clientes anônimos e célebres, entre eles Luiz Gonzaga e Reginaldo Rossi. Houve um tempo em que três filas se formavam à espera de atendimento. O cardápio também guarda fragmentos dessa continuidade: pão francês, cachorro-quente, americano, hambúrguer, pastel de Belém e uma pizza que clientes antigos tratam quase como patrimônio particular. Alguns produtos desapareceram ao longo do tempo, mas outros resistiram. Horácio diz que manter a casa aberta nunca significou simplesmente permanecer no mesmo endereço, mas preservar um padrão que os frequentadores reconhecem. "A gente permanece trabalhando com os produtos com que trabalhávamos há 10, 15, 20 anos, quando aqui era uma referência."

Hoje, são 24 funcionários entre atendimento e produção. Antes da pandemia, eram 33. A padaria funciona das 7h às 18h30 durante a semana e, aos sábados, até as 17h. As entregas de bicicleta alcançam Boa Vista, Santo Antônio, São José e Bairro do Recife, enquanto telefone e redes sociais tentam aproximar o negócio centenário de hábitos que mudaram radicalmente desde sua fundação. "Existe um apego sentimental, um afeto das pessoas, mas a gente se reinventa todos os dias. Não é fácil", afirma.
Horácio reconhece que o valor histórico da padaria é comentado há anos, mas nunca se transformou em um processo oficial de proteção do estabelecimento. "O pessoal fala de tornar patrimônio, de patrimônio afetivo, da pizza, mas nada oficial." Para ele, o reconhecimento seria importante. "A gente tenta preservar a essência da padaria desde sempre, porque é uma parte histórica da cidade." A situação expõe uma fronteira importante da preservação: proteger patrimônio não significa apenas conservar paredes. Há lugares cujo valor também está nos usos, nas receitas, nos trabalhadores, nas relações construídas com clientes e na repetição de pequenos hábitos.
Fátima Garcia talvez explique melhor essa dimensão sem precisar recorrer a qualquer conceito técnico. Portuguesa, mora no Recife há 41 anos e encontrou na Padaria Imperatriz seu primeiro emprego no Brasil. Há três décadas trabalha como chapeira. "Quando eu entrei aqui, era tanta gente que o povo no balcão ficava brigando para sentar. Minha chapa era lotada. Eu amava minha chapa cheia de sanduíches. A gente trabalhava muito, mas era gostoso." Depois da pandemia, o movimento caiu, as horas extras acabaram e o contraste entre a rua que conheceu e a que observa hoje se tornou difícil de ignorar. "Agora é muito triste. O que a gente viu antigamente e o que está agora é uma tristeza muito grande."
Há, entretanto, clientes que continuam chegando por razões que pouco têm a ver com conveniência. Pessoas que frequentaram a padaria quando crianças voltam acompanhadas dos netos. Recifenses que passaram a viver fora procuram o estabelecimento quando retornam à cidade. "Tem gente que chega aqui e chora porque já perdeu os pais que traziam aqui. Aqui é lembrança da infância. É muito bonita essa história. É isso que dá ânimo para a gente se levantar todo dia para vir trabalhar", conta Fátima.
Prédios em pé não garantem uma rua viva
Nos últimos anos, o poder público passou a incluir a região em ações voltadas ao Centro. A Imperatriz, a Praça Maciel Pinheiro e o Pátio de Santa Cruz foram incorporados à área de atuação do Gabinete do Centro do Recife - Recentro, depois de mobilização dos proprietários. A Padaria Imperatriz entrou na Rota Gastronômica, recebeu uma placa e duas mesas diante do estabelecimento. A Praça Maciel Pinheiro passou por requalificação com investimento próximo de R$ 500 mil, e eventos tentaram levar movimento à rua. Para quem permanece diariamente na região, contudo, essas intervenções ainda não produziram uma transformação duradoura. “Não é suficiente. São ações importantes, mas a gente precisa de algo que realmente traga as pessoas de volta para a rua e faça com que elas permaneçam aqui. Não adianta fazer uma intervenção pontual se os imóveis continuam fechados e o movimento não volta”, avalia Horácio Amorim.
O problema evidencia uma diferença fundamental entre manter um patrimônio fisicamente preservado e garantir que ele continue fazendo parte da vida da cidade. George Cabral salienta que, embora parte do patrimônio edificado da Imperatriz permaneça, inclusive com descaracterizações acumuladas ao longo do tempo, o esvaziamento da rua representa uma ameaça de outra natureza. "O patrimônio edificado ainda está lá, apesar das descaracterizações. Mas o mais importante é que a rua não se esvazie. E o que considero muito grave hoje é a ausência de moradia. Sem moradores, a rua fica sem vida. É perfeitamente possível estimular o comércio sem perder suas características históricas."
Viviane Galvão, 50 anos, está há uma década à frente de uma ótica na Rua da Imperatriz e ocupa uma posição particular nessa linha do tempo. Não chegou a conhecer o período em que a multidão tomava a rua a ponto de justificar a retirada dos carros, mas encontrou uma Imperatriz ainda com movimento suficiente para sustentar outra rotina. De lá para cá, acompanhou a mudança do comércio e, sobretudo depois da pandemia, viu o número de portas fechadas aumentar e a circulação diminuir. Para ela, a insegurança também passou a pesar sobre quem trabalha ou pensa em voltar a frequentar a região.

Horácio defende uma abordagem que não isole a Imperatriz do restante da Boa Vista. Segurança, transporte, moradia, ocupação dos imóveis vazios e facilidade de acesso, argumenta, precisam fazer parte da mesma discussão. "Tem que olhar isso aqui como um sistema, como um todo. Não só a Rua da Imperatriz, mas todo o entorno." Outros comerciantes ouvidos pela reportagem, que preferiram não se identificar, acrescentam outro problema à conta: o preço dos aluguéis. Segundo eles, há interessados em ocupar alguns dos imóveis fechados, mas os valores pedidos, que podem variar de R$ 2 mil a R$ 5 mil, acabam afastando novos negócios de uma rua que já não oferece o movimento de pessoas. Na avaliação desses comerciantes, não basta cobrar do poder público a recuperação da área. Também seria necessário que proprietários reconsiderassem os preços diante da realidade atual da Imperatriz.
O carro pode facilitar o acesso, mas não resolve sozinho a insegurança, a desocupação dos imóveis, o custo para mantê-los ativos ou a ausência de moradores e atividades capazes de sustentar a rua para além de determinados horários. A questão toca também num desafio recorrente da preservação dos centros históricos: recuperar um piso, restaurar uma fachada ou instalar mobiliário melhora a paisagem, mas não necessariamente devolve vida a ela. Na Imperatriz, preservar talvez dependa de conciliar as duas coisas: manter de pé aquilo que conta sua história e criar condições para que alguém ainda queira ocupá-la.
Quando o carro volta para tentar trazer o pedestre
A mobilização pela reabertura da Imperatriz reuniu cerca de 30 proprietários de imóveis, inclusive de unidades fechadas. O grupo passou a cobrar medidas mais efetivas para a área e, após um protesto, recebeu do Recentro a notícia de que a prefeitura permitiria novamente a circulação de automóveis. Horácio acredita que a mudança dará visibilidade à rua e ajudará a enfrentar uma das dificuldades que identifica na região: a falta de estacionamento. "Tem que dar um passo atrás para depois dar os passos para frente", diz ele. "Com a abertura, a rua vai retornar a ser vista novamente."
A frase resume o paradoxo. A Imperatriz tornou-se exclusiva para pedestres porque havia pessoas demais. Agora precisa dos automóveis, segundo seus proprietários, porque já não consegue reunir gente suficiente. A estratégia, porém, caminha na direção contrária à adotada atualmente em muitos centros urbanos, onde a tendência tem sido reduzir o espaço destinado aos automóveis e ampliar as áreas de circulação e permanência de pedestres.
O presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano pondera que a abertura pode ser experimentada como uma medida pontual, mas dificilmente terá força para reverter sozinha o esvaziamento da Imperatriz. "A tendência mundial hoje é restringir a circulação de automóveis nos centros das cidades. Em alguns casos, estrategicamente, é possível tentar uma medida como essa, mas só isso não resolve o problema de voltar a viver esse patrimônio."

Há ainda, na avaliação do historiador, uma transformação que nenhuma intervenção viária conseguirá desfazer: a maneira como as pessoas consomem mudou. "As relações comerciais são outras. Aquela ideia do comércio tradicional no Centro do Recife dificilmente voltará a ser exatamente como antes, porque a própria forma de comprar mudou. Reabilitar o Centro para a moradia é que pode trazer novamente movimento e vida para essas áreas."
A volta dos automóveis, portanto, pode ter resultado diferente daquele esperado caso não faça parte de uma política mais abrangente. "Abrir somente para os carros pode até produzir o efeito reverso. Se não houver outras ações associadas, a rua pode acabar se tornando apenas uma via para a passagem de veículos", alerta Cabral.
Fátima não entra nas discussões de planejamento urbano. Sua medida para saber se a experiência funcionou é mais simples. "Eu creio que vai voltar. Não como antigamente, mas melhorar um pouco." Quando perguntada sobre o que gostaria de rever, não hesita: "Como eu queria ver minha chapa lotada de novo!"
O risco de uma rua histórica se transformar apenas em passagem não se mede somente pelo número de lojas fechadas ou pelo estado de conservação das fachadas. Cabral destaca que há também uma perda menos visível. "O Recife vai perdendo sua memória e sua identidade. Pouco a pouco, vamos jogando no esquecimento todo um passado compartilhado, uma riqueza de memórias. A cidade vai ficando cada vez mais parecida com qualquer outro lugar. Perde identidade, perde pertencimento, e as pessoas deixam de se reconhecer na própria história." Apesar do diagnóstico, ele ainda vê possibilidade de reversão. "Ainda tenho esperança de que o Centro volte a ter vida. É muito triste ver a região como está hoje, tão esvaziada."
Um automóvel pode produzir circulação, mas circulação não é permanência. Pode atravessar a Imperatriz sem que seu motorista perceba a casa onde nasceu Joaquim Nabuco, as fachadas coloridas ou a padaria que está ali desde o século 19. Entre imóveis fechados, Fátima ainda acende a chapa todas as manhãs. Clientes antigos continuam chegando; alguns trazem os netos, outros trazem lembranças. Em setembro, depois de quase meio século, os carros devem voltar. Saber se a mudança devolveu vida à rua exigirá olhar menos para quantos veículos conseguirão atravessá-la e mais para algo que nenhuma sinalização consegue garantir: se haverá novamente gente com vontade de ficar.


















































































































































































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