Um hitmaker no palco do Teatro do Parque

6 ago 2026 | 0 comentários

Foto Cleyton Assis/Divulgação

Por Cleodon Coelho

Se fôssemos listar os maiores sucessos do pernambucano Michael Sullivan, com certeza faltaria espaço. Só em parceria com Paulo Massadas, ele assina pérolas como "Um Dia de Domingo" (que invadiu as rádios em 1985 nas vozes de Gal Costa e Tim Maia) e "Amor Perfeito" (do álbum lançado pelo rei Roberto Carlos em 1986). Alcione, Ney Matogrosso, Xuxa, Fafá de Belém, Sandra de Sá, Roupa Nova e Joanna também beberam nessa usina criativa. Para lembrar muitos desses hits, o hitmaker sobe ao palco do Teatro do Parque, na sexta, 7, dentro do Projeto Seis e Meia, com abertura de Clayton Barros, ex-Cordel do Fogo Encantado.

O espetáculo “My Life – Retratos e Canções” é um passeio por mais de cinco décadas de uma das carreiras mais bem-sucedidas da música popular brasileira. Estima-se que ele tenha mais de duas mil canções gravadas. 

Natural do Recife, Michael iniciou a vida artística ainda na adolescência e integrou grupos históricos como Renato e Seus Blue Caps e The Fevers. Ele acumula 550 Discos de Ouro, 270 Discos de Platina e 50 Discos de Diamante, além de integrar o Latin Songwriters Hall of Fame, um dos maiores reconhecimentos internacionais da composição musical.

Em conversa exclusiva com a Revista Araçá, o artista relembra momentos importantes de sua trajetória. Confira:

Revista Araçá - Que lembranças você tem do tempo em que vivia no Recife? 

Michael Sullivan - Recife fui para nascer, para receber a nutrição na minha alma dessa terra. Me criei no interior, em Nazaré da Mata, convivendo com a força do maracatu. Mas minha principal lembrança vem do Cine Cacareco, onde vi o show do meu primeiro ídolo, seu Luiz Gonzaga. Não tinha dinheiro para entrar, mas era uma criança e consegui tocar o coração das pessoas. Esse show mudou minha vida e confirmou meu propósito: viver de música como seu Luiz.

Por que escolheu o Rio de Janeiro para tentar a vida?

Porque era um polo de música e arte. E eu também tinha alguns colegas que poderiam me apoiar, para me dar um teto até eu me ajeitar. Porém, isso não aconteceu e eu fiquei na rua por seis meses.

Em que momento percebeu que estava fazendo sucesso?

Eu nunca percebi, até hoje, porque eu vivo de música. Sou um guardião da melodia. Sucesso é limitador de tempo, perto do que é eterno, a canção. Eu vivo a canção até que chegará o dia que a canção viverá por mim.

Com músicas interpretadas por tantos medalhões da MPB, consegue apontar as gravações favoritas?

Não consigo, todas são estandartes, são uma lágrima, um sorriso, uma memória bem vivida. Mas a música que mudou minha vida foi exatamente My Life, meu primeiro sucesso. E a consagração da dupla Sullivan & Massadas foi com Me Dê Motivo. Amo essa música porque consegui corresponder a um amigo que me ajudou me dando meu primeiro violão e todo apoio enquanto eu ainda estava na rua, o Tim Maia. Ele me incentivou a compor. E pude retribuir dando esse primeiro sucesso a ele. Depois vieram Leva e Um Dia de Domingo, que ele cantou com a Gal.

Tem alguma música de outro compositor que gostaria de ter feito?

Muitas... Sou fã dos artistas. Mas amo Mocambo de Paia, do Gilvan Chaves. Entre muitas outras.

⁠Pra quem gostaria de compor entre os artistas da nova geração?

Eu não guardo meus sonhos, luto para realizá-los. Vislumbrei fazer algo para Almério e compus com Juliano Holanda. A música se chama À Deriva e está no meu álbum Ivanilton. Esses dois artistas extraordinários pernambucanos me enchem de orgulho, inspiração e alegrias. O encontro com Juliano já rendeu mais de 20 composições.


Cleodon Coelho é jornalista, pesquisador e biógrafo.

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