Amor e ódio
Em 1978, aos vinte e poucos anos, eu achava que ia mudar o mundo. Como nasci em Serra Talhada, convivi com muitas mortes de vingança entre famílias, e isso me incomodava muito.
O curso de fotografia com Firmo Neto na Casa da Cultura foi uma escolinha pra muita gente. Geneton Moraes Neto, Paulo Cunha, Amin Stepple, Marcelo Pereira e até eu fomos alunos dele. Firmo Neto era uma lenda não só como professor de fotografia mas também como mestre nos segredos do Super-8.
Quando terminava o curso, era feita uma exposição de fotos dos alunos, que poderiam ser de paisagens, de captação de momentos ou uma foto artística montada pelo próprio aluno. Optei pelo tema Amor e ódio, com o conceito de que têm a mesma cor, o vermelho de sangue derramado e uma bela flor. Quem escolhe o caminho da violência ou do amor é você.
Arrumei uma mesinha de minha mãe, pintei com spray o braço de uma das minhas irmãs e fiz a foto com uma câmera Pentax 1000, que era a mais barata. Quem tinha dinheiro fotografava com uma Nikon Puma Like. A foto analógica ficou pronta, apesar das reclamações de mamãe por causa da sujeira que deixei.
Durante a exposição na Casa da Cultura, uma alemã se encantou pela foto e pagou 50 dólares por uma cópia. Resumo da ópera: com o dinheirinho, tomei umas cervejinhas, acreditando que no futuro a foto estaria com a temática superada, o bicho homem ia evoluir, a violência ia diminuir. Ledo engano. Chegou mais forte o feminicídio, e nas redes sociais violência é produto de consumo. Triste, a história dessa foto.


















































































































































































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