Gabriel Wickbold busca sua identidade

10 set 2026 | 0 comentários

Foto Gabriel Wickbold

A exposição “Imersão e Origem — 20 anos ATO I” reúne sessenta imagens de séries fundamentais da trajetória do artista visual brasileiro, além de uma instalação em tecido e do trabalho inédito “Maze ID”, que amplia sua investigação sobre identidade para o universo da inteligência artificial e da biometria. A retrospectiva percorre duas décadas da produção de Wickbold e evidencia as inquietações que permanecem na sua obra ao longo do tempo. Corpo, memória, transformação, tecnologia e as relações entre o indivíduo e a sociedade atravessam trabalhos realizados em diferentes períodos, técnicas e linguagens.

Estão entre as séries  “Brasileiros”, um dos pontos de partida de sua pesquisa autoral; “Sexual Colors”, em que corpo, tinta e fotografia se encontram em imagens de forte presença cromática; “Naïve”, que explora as tensões entre ser humano e natureza; e “Maze”, dedicada à construção e à desconstrução da identidade por meio da sobreposição de rostos, memórias e referências.

A mostra chega ao presente com “Maze ID”, novo trabalho de Gabriel Wickbold que leva essa discussão para o contexto da inteligência artificial, da biometria e da circulação massiva de imagens. Em um momento no qual rostos são transformados em dados e podem ser reproduzidos, manipulados e recombinados, o artista questiona os limites entre reconhecimento, memória, autoria e identidade.

Foto Gabriel Wickbold

Ao aproximar obras produzidas ao longo de vinte anos, a exposição revela uma linha contínua na pesquisa de Wickbold. As imagens, as técnicas e os suportes se transformam, assim como os contextos históricos, mas algumas perguntas permanecem: quem somos diante das imagens que construímos de nós mesmos? Até que ponto nossa identidade é individual e quanto dela é formada pelo olhar do outro, pela memória e pelo tempo?

O título “Imersão e Origem — 20 anos ATO I” nasce de um movimento de retorno. Não como um gesto de nostalgia, mas como uma tentativa de compreender o que permanece. Ao revisitar seus primeiros trabalhos a partir do presente, Gabriel Wickbold cria um diálogo entre o artista que iniciou sua produção há vinte anos e aquele que hoje investiga os dilemas da imagem em uma sociedade marcada pela hiperexposição, pelos algoritmos e pela inteligência artificial.

“São vinte anos de uma jornada imagética de busca pela identidade. As séries mudam, as imagens mudam, as técnicas mudam, mas existe uma questão que continua atravessando todo o trabalho: como podemos mudar tanto sem deixar de ser quem somos?”, pergunta Wickbold.

Serviço

Imersão e Origem — 20 anos ATO I

  • Museu do Estado de Pernambuco
  • 8 de setembro a 27 de outubro de 2026
  • Entrada Franca


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