As vozes que vão embalar o fim de semana

10 set 2026 | 0 comentários

Foto Divulgação

Por Cleodon Coelho

"Tudo era apenas uma brincadeira, que foi crescendo, crescendo, me absorvendo", dizem os versos iniciais de "Sonhos", canção composta e lançada por Peninha em 1977 e que rapidamente se tornou uma das mais tocadas daquele ano, tanto nas rádios como na trilha sonora da novela "Sem Lenço, Sem Documento", de Mário Prata. Além de ter permanecido no imaginário coletivo, "Sonhos" ganhou uma reinterpretação delicada de Caetano Veloso no disco "Cores, Nomes", de 1982, e depois foi transformada em tango por Marisa Monte, no final dos anos 1980, ainda no comecinho da trajetória da cantora. Já em 1997, foi recriada por Paulinho Moska em seu primeiro disco ao vivo, enquanto Paula Toller deu a sua versão em 2004, no álbum "Um Barzinho, Um Violão: Novela 70". Nos quatro registros, a dramaticidade da letra foi realçada, enfatizando cada frase criada pelo compositor, nascido Aroldo Alves Sobrinho.

Na sexta, dia 11, o Teatro do Parque recebe uma noite dedicada a grandes clássicos como esse, com um dos compositores de maior sucesso da música brasileira nas últimas décadas. No espetáculo “Minhas Canções”, Peninha assume o protagonismo para interpretar suas próprias criações, que se tornaram pérolas do nosso cancioneiro e atravessaram gerações. A abertura fica por conta do pernambucano Geraldo Maia, que sobe ao palco ao lado do músico Renato Bandeira.

Peninha canta no Teatro do Parque. Foto Luh Ramalho/Divulgação

Se a história de Peninha começou em 1977 com "Sonhos", outro marco de sua obra é "Sozinho", gravada por Sandra Sá em 1996 e por Tim Maia no ano seguinte. Mas foi em 1998, ao ser incluída por (mais uma vez) Caetano Veloso no roteiro do show "Prenda Minha",  que ela virou paixão nacional. O disco foi o primeiro do artista baiano a ultrapassar a marca de 1 milhão de cópias vendidas, e a música, que foi parar na trilha da novela "Suave Veneno", segue até hoje em seu repertório. E, a partir da gravação de Caetano, muitos nomes internacionais também caíram de amores pela letra de Peninha, como a espanhola Rosalía, a sueca Lykke Li e os americanos da banda The Killers.

Em sua lista de hits, também marca presença "Alma Gêmea", que se imortalizou na voz de Fábio Júnior, em gravação de 1995, e que - dez anos depois - tornou-se tema de abertura da novela homônima da TV Globo, reafirmando a presença constante de Peninha nas trilhas sonoras que marcaram a memória afetiva do país. Daniel, Alexandre Pires, Roberta Miranda e José Augusto, entre muitos outros, também garantiram composições do paulista em seus repertórios.

Por tudo isso, “Minhas Canções” promete ser um encontro amoroso entre o artista e sua plateia. Em um formato intimista e envolvente, Peninha vai compartilhar histórias e inspirações por trás de suas criações e interpretar grandes sucessos de colegas da música brasileira.  

O baiano Pablo se apresenta no Classic Hall. Foto Cesar Irará/Divulgação

O romantismo também domina o repertório de outros dois cantores que aterrissam em Pernambuco no fim de semana. Sábado (12), a partir das 20h, o baiano Pablo abre a Budega do Pablo no Classic Hall. A noite contará ainda com shows do pernambucano Conde Só Brega e do potiguar Zezo, reunindo artistas de forte identificação com o público nordestino em uma programação marcada por muita sofrência. Pablo chega ao Recife com um repertório que revisita diferentes momentos da carreira e reúne músicas que ajudaram a consolidar seu nome nacionalmente.

Os ingressos para o show de Jorge Vercillo estão esgotados. Foto Divulgação

Também no sábado, no Teatro Guararapes, que fica no Pernambuco Centro de Convenções, o carioca Jorge Vercillo repete o feito de novembro passado e, mais uma vez, apresentará o show "JV30 Parte II – Mais um Final Feliz" para uma plateia desde já lotada. O novo encontro do artista com sua gigante e fiel legião de fãs no estado dá continuidade à celebração dos 30 anos de carreira de uma das vozes mais ouvidas da música brasileira. Sob a direção de Rafael Dragaud, responsável pela turnê 'Tempo Rei', de Gilberto Gil, o show apresenta um mergulho aprofundado nas múltiplas nuances do vasto repertório “vercilliano”, que passeia da bossa nova ao ijexá, do samba ao R&B e do reggae ao jazz.


Cleodon Coelho é jornalista, pesquisador e biógrafo.

Busca nas Edições

As mais acessadas

Leia também

0 Comentários

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Todas as Edições

Explore também outras edições da Revista Araçá e descubra novos olhares, temas e narrativas que expressam nossa proposta editorial. Cada edição reúne conteúdos exclusivos organizados por seção, ampliando o debate cultural e aprofundando diferentes perspectivas. Escolha a edição em que deseja navegar e mergulhe nas histórias, reflexões e experiências que compõem o universo da Revista Araçá.