A 17ª edição do Festival Janela Internacional de Cinema do Recife movimenta o Cinema São Luiz até domingo (1º de novembro). A programação deste ano contempla os elementos mais representativos da trajetória histórica do Janela, numa combinação de cinema clássico e contemporâneo, obras nacionais e internacionais. Foram selecionados 31 filmes, entre longas e curtas, e uma série. A curadoria é do cineasta Kleber Mendonça Filho e do programador, crítico e pesquisador Pedro Azevedo Moreira.
Este ano, o festival está mais pernambucano do que nunca. Estão programadas 15 produções do estado, entre restaurações clássicas e títulos contemporâneos. À Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho, Yellow Cake, de Tiago Melo, Cão Sem Plumas, de Camila Valença, Coração de Lona, de Tuca Siqueira, e a série Delegado, de Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, fazem parte da programação.

Jomard Muniz de Brito, escritor e cineasta, que morreu recentemente, é celebrado com a exibição de dois de seus curtas-metragens: Amanhecendo, em codireção com Rucker Vieira, e Imitação da Vida. Ambos em cópias restauradas a partir dos originais em Super-8, numa parceria com a Cinelimite. Também em cópia restaurada, numa realização do Janela com supervisão de Débora Butruce, será exibido o curta-metragem That's a Lero Lero (1994), de Lírio Ferreira e Amin Stepple, filme que aborda a vinda do cineasta norte-americano Orson Welles ao Recife nos anos 1940.
A seleção de longas-metragens estrangeiros inéditos traz a segunda exibição na América Latina de Tudo pode ser visto, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim. A grade internacional conta ainda com La Gradiva (Marine Atlan), Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (Bruno Santamaría Razo), Club Kid (Jordan Firstman), Paper Tiger (James Gray) e Iron Boy (Louis Clichy).
Em uma colaboração inédita com o New York Film Festival, o Janela apresenta uma sessão especial da mostra Spotlight Shorts, reunindo trabalhos de cineastas do Brasil, Colômbia, Palestina, China e França. A seleção inclui os curtas Masao Adachi Takes a Passport Photo (Kamal Aljafari), Una Película Robada (Camilo Restrepo), Torino Shadow (Jia Zhangke), Pier Paolo Pasolini - Agnès Varda - New York - 1967 (Agnès Varda) e South of Tehran (Kleber Mendonça Filho).

Luciana, a Comerciária, de Mozart Cintra, em cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira, figura entre os destaques de clássicos nacionais. Este último, chega em uma sessão especial acompanhado de uma entrevista inédita gravada em 2003 com Celeida Cintra, esposa, codiretora e responsável pela guarda de uma cópia do filme durante 50 anos. Entre os internacionais, destaque para Os Demônios (The Devils), clássico de horror dos anos 1970 dirigido por Ken Russell, antecedido pelo curta-metragem belga inédito Melk (Filip Anthonissen).
Para Pedro Azevedo, a presença dos curtas e a forma como estão programados, misturados entre nacionais, estrangeiros, clássicos e contemporâneos, é um dos pontos positivos deste ano. “Arriscamos criar relações intuitivas entre os filmes. A inclusão dos curtas foi bastante processual nesse sentido, íamos entendendo o que fazia sentido com o quê, na medida em que a grade ia sendo construída”, afirma.
A Janela Crítica, parte formativa, presente desde o início do festival, em 2008, promove este ano as oficinas O Corpo Negro no Cinema e O Cinema com Raiva, ambas coordenadas pelo cineasta, escritor e roteirista Dodô Azevedo. As oficinas têm como público alvo pessoas interessadas na prática da crítica cinematográfica. O Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano e a Sala Imersiva Geraldo Pinho, localizadas no 1º e no 2º andar do Cinema São Luiz, estarão abertas ao público também durante o Janela.



















































































































































































































































































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