A Arte Plural Galeria gosta de comemorar aniversário. Depois da retrospectiva dos 20 anos, concluída em 31 de julho passado, abre as portas para duas novas exposições. “Ecótono” reúne os artistas Danielly Guerra, Gerson Ipirajá, Géssica Amorim e Yasmin Formiga, celebrando diferentes trajetórias e linguagens da produção contemporânea, com curadoria de Lucas DiLacerda. “Delicado é o Espinho”, de Mozart Santos, tem curadoria de Fabiana Moraes.
Contatos entre diferentes mundos
“Ecótono” propõe um encontro entre quatro poéticas que preservam suas particularidades ao mesmo tempo em que estabelecem zonas de contato a partir de uma pergunta central: para onde estamos indo e quais mundos queremos fazer sobreviver durante essa travessia?
O título vem da ecologia: ecótono é a zona de transição entre diferentes ecossistemas, onde espécies e condições ambientais se encontram e produzem novas relações. A exposição transporta essa ideia para o campo da arte. Danielly Guerra parte de memória, infância, maternidade, cotidiano e sonho para construir paisagens interiores. Gerson Ipirajá investiga sua ancestralidade afro-indígena por meio de signos, formas e uma espécie de alfabeto visual próprio. Géssica Amorim transforma o Sertão do Pajeú em paisagem afetiva e onírica, articulando território, identidade e memória. Já Yasmin Formiga investiga a Caatinga como entidade viva e ancestral, trabalhando com terra, pedras, plantas, raízes, sementes e outros elementos do semiárido.

Mozart Santos olha para o Sertão pelo avesso
“Delicado é o Espinho” propõe uma revisão do imaginário associado ao Sertão. Em vez da imagem marcada apenas pela dureza, pela seca e pela figura do “cabra macho”, a exposição procura revelar delicadeza, fragilidade, memória e proteção.
O artista utiliza materiais bainhas de peixeiras, pontas de chifres, penas, peles de boi, buchas vegetais, madeira e metal, deslocando objetos e referências de seus sentidos originais. O espinho, nesse universo, pode ferir, mas também proteger.
A exposição também aproxima Sertão e periferia. Morador do Ibura, Mozart reencontrou em Floresta, no Sertão pernambucano, objetos e referências de sua infância. A experiência atravessa sua produção e se relaciona ainda aos deslocamentos provocados pelos êxodos rurais e à presença do imaginário sertanejo nas grandes cidades.
Religiosidade e cultura popular também ocupam espaço importante na mostra, que dialoga com referências de matrizes africana e afro-indígena, Jurema, Catimbó, Maracatu, Cavalo Marinho e a coroação do Rei do Congo.

Serviço
Ecótono
Visitação gratuita até 29 de janeiro
Delicado é o Espinho
Visitação gratuita até 27 de novembro
Arte Plural Galeria
Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife
Segunda a sexta, das 9h às 18h; sábados, das 14h às 18h








































































































































































































































































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