Jomard Muniz, baobá plantado no Recife

13 out 2026 | 0 comentários

Foto Acervo Pessoal

Por Pedro Américo de Farias

Já não pode dizer-se
JMB, O Famigerado
ou O Mau Velhinho

Agora é com a gente

O caminhante longa vida
Homem de muitas léguas caminhadas
Frequente escambo nas feiras da imaginação
Recife acima e abaixo
Dia e noite
Nunca sonâmbulo

Filósofo praticante de atentados poéticos
Diálogo permanente pelas calçadas quebradas

Primeiro bebeu cicuta
Depois o elixir da juventude
Zaratustra rindo debochado de pretensos discípulos

Olho aberto
Prometeu quebrando correntes
Portando o fogo até o centro da Ágora
Para levá-lo aos danados vítimas da exclusão

Solidário
Enfant terrible distribuindo pílulas de inobservância

Revolucionário
Transmigrante contra a retórica moral de rebanho

Deseducador deseducando-se desaforado:
É proibido proibir a inteligência

Pela madrugada de hoje
JMB bateu o seu último ponto
no Bar da Central
e nunca mais voltará ao trabalho.


Pedro Américo de Farias é poeta

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