I
No texto anterior, informei que a Corte&Costura desta semana continuaria em redor de Os mortos indóceis, da Cristina Rivera Garza – livro fascinante, repleto de diagnósticos tão certeiros quanto de previsões equivocadas. Mas, por motivo de força maior, esta coluna entrará em recesso.
É curiosa essa expressão, não? Porque a força dos motivos não reside em fatores como tamanho, velocidade ou energia. Alguém pode faltar a um compromisso por conta de um sinal de trânsito com defeito, de um pneu furado, de uma conjuntivite, da bala perdida ou disparada por ciúmes; a razão de frustrar as pessoas pode ser transportada por um drone militar, por um trabalhador precarizado, por um mosquito que gosta de água limpa ou pelo email aparentemente inofensivo.
O que realmente define se um motivo possui ou não a tal força maior é simplesmente nossa incapacidade de lidar com ele, por ser imprevisível ou porque, mesmo quando esperado, termina por frustrar nossas pretensões de saber, planejar e controlar.
II
O leitor da Revista Araçá provavelmente já compreendeu: a coluna desta semana costuraria as impressões sobre Os mortos indóceis com um dos temas essenciais para quem se dedica à literatura: o quanto saímos de um livro com a sensação de que está tudo sob controle, ou com a revigorada certeza de que – tarde ou muito cedo – tudo há de nos escapar.
Eu não acredito em regras sobre o fazer literário. A história anda para lá de cansada; já não suporta ter de demonstrar que as regras humanas são ridiculamente destinadas ao fracasso. E, no caso da literatura (assim como em tudo mais), a disposição para desrespeitar regras é essencial para mantê-la viva, dar-lhe motivos aos quais cada leitor há de juntar as próprias razões para seguir (ou não) jornadas dentro e fora das páginas.
Confesso, no entanto, que uma regra miúda (cheia de furos e sem qualquer charme) insiste em se guardar no meu gosto pessoal: gosto mais dos escritores que compreendem e assumem essa pedra como o toque fundamental de suas obras: a força não está no tamanho, na velocidade ou na energia do que se conta, mas no quanto o leitor desembarca das páginas com a convicção de que leu o que desejava – e de que tem algum controle sobre as coisas – ou com a mais terrível e magnífica sensação de abismo, de vertigem, de que tudo lhe escapa.
Até breve.






















































































































































































































A escrita de Cristiano Santiago nos deixa sem fôlego… a forma com que poetiza o que mais nos incomoda, mais nos aflige, mais nos faz pausar nos leva as lágrimas…
Que essa pausa seja muito mais que breve, seja renovadora, seja inspiradora, e que cure!!! Como diz na música de Oswaldo Montenegro: “ Como fere e faz barulho um bicho que se machucou, viu!!!”
Sua presença é imprescindível!!!