ASTROS RETRÓGRADOS
por Túlio Velho Barreto
Dedicado a Jomard Muniz de Britto
A velha cidade não perdoa
os mortos nem os vivos
que pelas esquinas destilam
secretos medos e desejos.
Também não mais tolera
tanto lero-lero ou quero-não
-quero de seres notívagos
pelos feitos que não são ditos.
Mas, se não têm motivos,
por que alguns se esquivam
desses astros retrógrados
que em nada os afetam?
Ora, raios que os partam;
se assim é, pelo sim pelo não,
façam da vida cinema num
plano aberto em sequência.
E dobrem tortos à esquerda
escrevivendo no meio-fio
e caminhando contra o vento
sem lenço sem documento.
Atravessem suas ruas e pontes
como se ‘dos Anjos’ fossem
e atentem para as sombras
dos fantasmas nos bondes.
Afinal, tratem de vivenciar
a lua doidivana que tanto brilha
como uma pombagira num
atentado poético de Jomard.








































































































































































































































































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