Poema de Túlio Velho Barreto

13 out 2026 | 0 comentários

Foto Edna Silva

ASTROS RETRÓGRADOS 

por Túlio Velho Barreto 

Dedicado a Jomard Muniz de Britto 

A velha cidade não perdoa 
os mortos nem os vivos 
que pelas esquinas destilam
secretos medos e desejos.

Também não mais tolera
tanto lero-lero ou quero-não
-quero de seres notívagos
pelos feitos que não são ditos.

Mas, se não têm motivos,
por que alguns se esquivam
desses astros retrógrados 
que em nada os afetam?

Ora, raios que os partam; 
se assim é, pelo sim pelo não, 
façam da vida cinema num
plano aberto em sequência.

E dobrem tortos à esquerda
escrevivendo no meio-fio 
e caminhando contra o vento 
sem lenço sem documento. 

Atravessem suas ruas e pontes 
como se ‘dos Anjos’ fossem 
e atentem para as sombras 
dos fantasmas nos bondes.

Afinal, tratem de vivenciar 
a lua doidivana que tanto brilha 
como uma pombagira num 
atentado poético de Jomard. 


Túlio Velho Barreto  é cientista político, pesquisador social, escritor e poeta.

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