Por Priscila Avelin
A bandeira-manifesto evoca os seres sensíveis na minha criação político-poética. Na tentativa de ressignificar os símbolos de pertencimento a partir do reencontro com saberes ancestrais e com as múltiplas formas de vida que constituem nosso território Brasil, recrio a minha versão de bandeira como ato simbólico. Minha intenção é provocar o pensamento sobre outras formas de ser e habitar o mundo de forma integrada, autêntica, sensível.

Escolho carregar esse símbolo comigo pelas ruas da cidade. Quando pintei a bandeira em uma rua no bairro de Santo Amaro, percebi a beleza que se tem na arte que rompe as paredes da galeria e conversa com as pessoas no espaço urbano. A arte democrática que provoca a gente que passa em um dia comum na cidade do Recife desperta em mim um sentido de comunidade maior.
Ao longo de quatro dias de imersão, vou tecendo relação com o motorista do ônibus e seus passageiros, que, diariamente, visualizam todo o processo, com os moradores das ruas, que interagem e são provocados por esse manifesto, com o jovem soldado da guarita do quartel que fica logo em frente.
Eu escolho inventar uma bandeira que faça mais sentido na forma com que atravesso a vida.

Como integrante do Acorde a Floresta, venho investigando ao longo dos anos como diminuir as distâncias entre a cidade e a floresta, tecendo uma relação entre arte-saúde-natureza e imprimindo símbolos pela cidade que refletem esse manifesto político-poético por uma nação mais sensível.
As bandeiras impressas manualmente em cores diversas como verde, vermelho e azul são vendidas na feira de orgânicos de Casa Forte todo primeiro sábado do mês no ponto de cultura do Acorde a Floresta, lugar de conversa e de celebração da agroecologia, e também no meu perfil do instagram. Um trabalho que escolhi reproduzir em quantidade ilimitada para que muitas pessoas possam acessar e se provocar na criação de versões sensíveis de suas próprias bandeiras.






































































































































































































































Grata pela publicação Revista Araçá!
Vejo aqui um espaço político-poético de manifestação sensível.
Um grande abraço!