Roberto Ploeg expõe Silvas e Selva

4 nov 2026 | 0 comentários

Buda, em paz.

Por Roberto Ploeg

“Paint the things you love and look more closely at the world”

David Hockney (1937-2026)

Gosto do povo brasileiro que me acolheu tão bem. Conheci o Brasil a partir do meio popular. Está aí meu primeiro e definitivo amor.

Sou impactado pela natureza brasileira, tão exuberante, diria até barroca, sobretudo quando iluminada pela luz tropical, que cria contrastes e cores fortes.

A selva é o sítio onde moro faz 35 anos, Sítio Ouro Verde, na área rural e periférica de Olinda. Procuramos cuidar deste pedaço de terra em comunhão com o povo da região, particularmente, das comunidades vizinhas que se formaram nos últimos 20 anos.

São os Silvas. Melhor eu dizer as Silvas, pois pinto mais as mulheres e as meninas, que, assim percebo, são o motor que faz a vida rodar na periferia.

O encantamento de ver de perto, praticamente durante uma geração inteira, gente e árvores nascerem, crescerem e morrerem, pois tudo é transitório, me fez ser pintor.

Esta exposição é uma pequena mostra desta minha vida de artista no meio das Silvas e da Selva.

O cajueiro do jardim de Marianne Peretti.

Quem sou eu

Sou natural da Holanda, nascido em 1955 em Valkenburg aan de Geul. Vim para o Recife em 1979 no contexto de um mestrado em Teologia da Libertação. Minha mulher, Eliana, é formada também em teologia.

Trabalhamos muitos anos com Comunidades Eclesiais de Base e Pastorais Populares no Nordeste brasileiro. Até que a Igreja Católica ganhou uma direção conservadora e desmontou as estruturas da Igreja dos Pobres no final dos anos 1980. O jeito foi fundar ONG’s para dar continuidade aos processos de educação popular. Até hoje somos ativistas sociais.

Morando em Olinda desde 1988 conheci a turma do Atelier Coletivo na casa de Baccaro. Fiz cursos em diversas instâncias culturais em Olinda e Recife (MAC, Oficina Guaianases, Escolinha de Arte, UFPE, IAC, Fundaj) para em 1996 me dedicar profissionalmente às artes, particularmente, à pintura.

Sou um pintor tradicional. Trabalho com tinta a óleo sobre tela. Faço pintura de cavalete. Gosto da história da pintura. Procuro dialogar sempre com outros pintores, sejam de tempos antigos, modernos ou atuais. Há citações, apropriações e releituras em meu trabalho. Não se cria do nada. Desde jovem exercito o meu olhar sobre o acúmulo de imagens que a história da arte nos oferece. Olho a realidade com essas lentes, vendo como a vida imita a arte.

Vejo pinturas possíveis em todo canto, o tempo todo, não me desligo.

Minha pintura é contemporânea, deste nosso tempo mesmo, que procuro testemunhar e analisar. Tenho predileção pelo retrato, porque gosto de gente. A figura humana é minha paisagem preferida.

Desde 1996 participo de exposições coletivas e fiz também uma dezena de exposições individuais. Na maior parte por aqui mesmo, no Grande Recife. Faz dois anos que a gente fundou o Instituto Ploeg para formação artística e eventos culturais. Fica num casarão secular na Boa Vista, onde trabalhamos desde 1999 com educação popular e articulação de movimentos sociais e políticos. No instituto tem o acervo das minhas pinturas que ilustram um pouco a história contada acima.

Roberto Ploeg no atelier.

Serviço

Instituto Ploeg

  • 7 de novembro a 19 de dezembro de 2026
  • Visitação de terça a sábado, 9h às 16h
  • Rua da Santa Cruz, 190 - Boa Vista

Roberto Ploeg é pintor.

Busca nas Edições

As mais acessadas

Leia também

0 Comentários

Enviar um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Todas as Edições

Explore também outras edições da Revista Araçá e descubra novos olhares, temas e narrativas que expressam nossa proposta editorial. Cada edição reúne conteúdos exclusivos organizados por seção, ampliando o debate cultural e aprofundando diferentes perspectivas. Escolha a edição em que deseja navegar e mergulhe nas histórias, reflexões e experiências que compõem o universo da Revista Araçá.