Longe há dois anos dos palcos pernambucanos, a cantora baiana Simone se debruça sobre um repertório que atravessa gerações para investigar, sem respostas fáceis, os múltiplos rostos do feminino em seu novo espetáculo, intitulado “Que Mulher é Essa?!”. Recém-chegado aos palcos (a estreia foi em agosto, em São Paulo), o show já passou pelo Rio de Janeiro, Fortaleza, Aracaju e Belo Horizonte, e aporta no Recife na sexta, dia 25, em única apresentação no Teatro Guararapes.
A criação geral é assinada pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga, que afirma: “O espetáculo é menos uma afirmação e mais uma pergunta em carne viva. A mulher do título não é uma só, são muitas. São as que habitam a profundidade dessa artista que, ao longo de mais de 50 anos de carreira, interpretou e lançou luz sobre dores e amores do ser mulher no Brasil”.
Sob a direção musical de Ana Frango Elétrico, nome de destaque da nova geração da MPB e autora de “Mulher, Homem, Bicho”, uma das novidades do repertório, Simone estará acompanhada por Chico Lira no piano, Giordano Bruno no baixo, Vitor Cabral na bateria e Filipe Coimbra no violão e na guitarra. “É uma banda formada por uma galera jovem, que traz uma sonoridade diferente”, frisa a cantora.

A dramaturgia musical percorre canções que ajudaram a moldar esse imaginário — de Chico Buarque (“Sob Medida” e “Embarcação”, parceria com Francis Hime), Erasmo Carlos (“Migalhas”), Sueli Costa (“Face a Face” e “Jura Secreta”), Rita Lee (o medley “Cor de Rosa Choque e Bem-me-Quer”) e Marina Lima (“Fullgás”) — até releituras inéditas que tensionam estereótipos e deslocam sentidos. Entre elas, estão “Quando Eu Te Conheci” (de Dona Onete, conhecida na voz da cantora Lia Sophia), “Velha Roupa Colorida” (de Belchior) e “Baby” (de Caetano Veloso, em uma bela homenagem a Gal Costa). Em cada música, Simone não apenas interpreta: ela as reescreve.
“Conhecida por sua voz grave, precisa e emocionalmente cortante, Simone se apresenta neste novo trabalho em estado de depuração. Sem excessos, mas carregada de intenção, conduz o público por um percurso íntimo e político, em que o feminino não é categoria fixa, mas território em disputa. ‘Que Mulher é Essa?!’ não busca definir. Expõe. É um espetáculo-convite: para ver, ouvir e se reconhecer, ou não”, descreve Ronaldo Fraga.
“No projeto visual do show, a inspiração vem da poesia crua dos cartazes de lambe-lambe e da dureza dos retratos falados de delegacia. Entre o gesto popular e o registro da ausência, surge uma pista. Não é sobre descobrir quem é essa mulher. É sobre não conseguir mais desver”, completa o estilista.
Que venha essa nova Simone.






















































































































































































































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