Olinda está pronta para sediar um dos maiores festivais gratuitos do Brasil. De sexta (25) a domingo (27), o MIMO volta à cidade onde nasceu, em 2004, para ocupar as ladeiras, igrejas, praças e espaços culturais do Sítio Histórico com música, formação, pensamento e manifestações da cultura local. O evento reúne mais de 40 atividades, entre shows, concertos e DJ sets, exibição de filmes, oficinas e masterclasses do Programa Educativo, encontros do Fórum de Ideias e ações ligadas à cultura popular.
Na edição de 2026, o MIMO amplia sua presença ocupando o Mosteiro de São Bento e a Igreja de São Pedro, ambos restaurados recentemente, a Igreja do Carmo, Igreja do Amparo, Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa e outros espaços emblemáticos do Sítio Histórico. A ocupação desses lugares reforça uma das marcas do festival desde sua origem: promover o encontro entre arte, patrimônio e público, fazendo da própria cidade parte da experiência.
“Olinda é onde o MIMO nasceu e continua sendo o coração da nossa história. Em 2026, voltamos à cidade com uma programação de enorme força artística, reunindo grandes nomes do Brasil e do mundo e ampliando nossa ocupação do patrimônio. Queremos o MIMO pulsando em Olinda, nas praças, igrejas, ruas e espaços culturais, aproximando artistas e público por meio da música, do cinema, do pensamento e da formação”, afirma Lu Araújo, idealizadora e diretora do festival.
No palco da Praça do Carmo, coração da programação musical, uma das atrações mais esperadas é o BaianaSystem, uma das forças inventivas da música brasileira atual, que contará com as participações de Mãe Beth de Oxum e Cannibal, da banda Devotos. A relação do coletivo comandado por Russo Passapusso com a rua, a cultura popular e a ocupação do espaço público encontra em Olinda um cenário especialmente potente para um show marcado pela conexão direta com o público.

Outro grande destaque do festival é o projeto “Nação Zumbi Sinfônico - 30 Anos de Afrociberdelia”, um concerto da banda pernambucana na companhia de uma orquestra com cerca de 40 músicos, com arranjos do pernambucano Mateus Alves (um dos autores da trilha sonora do filme “O Agente Secreto”, indicada ao Grammy Latino) e regência de Henrique Albino. Além de celebrar o aniversário do álbum icônico, o espetáculo marca o ano em que Chico Science completaria 60 de nascimento.
A programação brasileira reúne diferentes gerações e linguagens, com Alice Caymmi, que apresenta o show “Caymmi”, em homenagem ao seu avô, Dorival, e a força interpretativa de Cida Moreira, que celebra a obra de Angela Ro Ro no espetáculo “Me Acalmo Danando – A Música de Angela Ro Ro”.

Relevância do instrumental
Como sempre, a música instrumental é parte fundamental do MIMO: a premiada violonista Gabriele Leite realiza um concerto na Igreja do Carmo, enquanto a potência das cordas brasileiras é representada pela pernambucana Laís de Assis e o paulista João Gaspar, dois instrumentistas de destaque de uma nova geração do violão brasileiro, que tomarão conta de outras igrejas da cidade. O diálogo entre Brasil e Portugal se faz presente com o encontro da pianista Bianca Gismonti com o premiado violonista Manuel de Oliveira. Outro destaque é o projeto Duo Frevo, com César Michiles e Romero Medeiros, que ocupa o templo centenário do Mosteiro de São Bento.

Já a programação internacional reúne artistas de diversos países: Tinariwen, grupo de músicos tuaregues do norte do Mali, da região do deserto do Saara; Tiken Jah Fakoly, da Costa do Marfim; Capicua, de Portugal; e a norte-americana DJ Reborn, DJ oficial da diva Ms. Lauryn Hill. Completando as atrações internacionais, está a banda Ferro Gaita, de Cabo Verde, referência da revitalização do funaná, ritmo tradicional cabo-verdiano, associado às populações rurais, que chegou a ser proibido em espaços públicos pelas autoridades do país.
E ainda tem as sanfoneiras
Para quem quiser ir além da programação do MIMO, no domingo, às 16h, a Casa Estação da Luz abrirá as portas para a apresentação da Orquestra Sanfônica de Mulheres, que faz sua estreia em grande estilo. Idealizado pela produtora cultural Natália Reis e tendo como maestrina e coordenadora a sanfoneira Terezinha do Acordeon, o projeto reúne oito mulheres instrumentistas que celebram a música nordestina.
Com Terezinha no comando, a formação é composta por Nilva do Acordeon, Flávia Soares, Verônica Sanfoneira e Karol Maciel. Elas serão acompanhadas por Michelle Angela, na zabumba, Angélica, no triângulo, e Selminha, no pandeiro. Juntas, essas instrumentistas dão vida a um espetáculo que valoriza o protagonismo feminino e reafirma a presença das mulheres em um universo historicamente ocupado, em sua maioria, por homens.























































































































































































































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