Se você gosta de se programar com muita antecedência, pode começar com o próximo feriadão. De 10 a 12 de outubro, a Caixa Cultural Recife recebe o espetáculo “Cantabrincando com Grandes Pequeninos”. O novo show teatral infantil chega ao palco inspirado no quarto álbum autoral do projeto criado pelo cantor e compositor Jair Oliveira (o eterno Jairzinho da Turma do Balão Mágico) e pela atriz Tania Khalill, o “Cantabrincando”. Será a primeira vez do casal na capital pernambucana, com seis apresentações ao todo, duas a cada dia.
O disco reúne dez músicas inéditas que exploram o universo das palavras, das rimas, dos trava-línguas e das brincadeiras sonoras. No palco, as canções ganham nova dimensão, misturando música, cenas e interação com o público. Com direção artística de Márcio Mehiel e direção e produção musical do próprio Jair Oliveira, o show explora canções do novo álbum, como “O Coral dos Bichos”, “O Giro da Ciranda”, “Cabrito Brito”, “No Circo do Chico” e “Sorrir pra Melhorar”. Outras músicas que fazem parte da história do projeto, como “Caiu, Levanta”, “Cocô, Xixi e Pum” e “Normal é Ser Diferente”, também serão apresentadas.

Novembro traz para Pernambuco dois espetáculos especiais. Um deles é “Um Sim à Vida”, com a filósofa, poeta e psicanalista Viviane Mosé, que apresenta no dia 14, no Teatro do Parque, um encontro entre filosofia, poesia, teatro e dança para refletir sobre a experiência humana e a própria existência.
Viviane entrelaça a história da vida na Terra à trajetória de uma pessoa comum, aproximando a dimensão grandiosa do universo das questões que atravessam o cotidiano. A partir desse encontro, o espetáculo aborda a finitude, solidão, fragilidade, liberdade e a potência de existir. A montagem também estabelece um diálogo entre dois livros da filósofa: “A espécie que sabe – do homo sapiens à crise da razão” e “Meu braço esquerdo, um sim à vida”. A proposta não é transformar a filosofia em uma explicação, mas levá-la para o palco como experiência, combinando reflexão e sensibilidade.
Conhecida do grande público por seu trabalho como pensadora e pela série “Ser ou Não Ser”, exibida no “Fantástico”, da TV Globo, Viviane Mosé também tem uma trajetória consolidada na literatura, com 13 livros publicados e três indicações ao Prêmio Jabuti. Nos últimos anos, ampliou sua atuação artística com apresentações que aproximam poesia e música e, agora, estreia no teatro com uma montagem que vem circulando por importantes palcos e festivais do país.

Já no dia 28 de novembro, o antropólogo Michel Alcoforado apresenta no Teatro Guararapes a aula-espetáculo “Coisa de Rico: Outras Histórias”, que mistura antropologia, humor, histórias e teatro para discutir riqueza, desigualdade, comportamento, cultura e pertencimento. Inspirado nas tradicionais aulas-espetáculo de Ariano Suassuna, o monólogo parte de uma proposta que busca aproximar o pensamento antropológico do cotidiano e alcançar públicos para além dos espaços tradicionais de produção e circulação do conhecimento.
No palco, pesquisas, conceitos e histórias da trajetória de Michel são transformados em uma experiência cênica que utiliza o humor como porta de entrada para observar comportamentos e relações sociais. “Eu sou um cara das fronteiras. Não consigo me enquadrar e acho que a fronteira é um lugar confortável, potente e perigoso. É justamente esse lugar que me interessa. Se alguém do teatro vier me cobrar alguma coisa, eu posso dizer que sou antropólogo. Se um antropólogo vier me cobrar, eu digo que estava fazendo alguma coisa no teatro. É nessa fronteira que essa aula-espetáculo existe”, afirma Michel.
“Suassuna transformava a pororoca da academia em arte, tudo junto e misturado. Ele pegava um assunto intelectualizado e transformava aquilo em duas horas de um espetáculo leve. Quando conheci o Michel, imediatamente me veio à cabeça aquela experiência”, conta o diretor artístico Batman Zavareze. O encontro entre os dois deu origem à proposta de “Coisa de Rico: Outras Histórias”. De um lado, está o desejo de Michel de popularizar a antropologia e ampliar o acesso a esse conhecimento. Do outro, o olhar de Batman para a construção de uma experiência cênica capaz de preservar a espontaneidade do antropólogo, ao mesmo tempo em que explora recursos próprios do teatro.






































































































































































































































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