Brejo da Madre de Deus e o crochê contemporâneo

1 out 2026 | 0 comentários

Foto Divulgação

Por Paulo André Leitão

Brejo da Madre de Deus, no agreste pernambucano, entrou no circuito do crochê contemporâneo. A 5ª edição do projeto “TRAMAÇÕES: experimentações e narrativas têxteis” aportou no município e ocupa todas as salas do Centro Cultural Casa de Câmara e Cadeia com obras em bordado, crochê, tapeçaria, performance e vídeo. 

“O projeto visa desenvolver processos de criação em artes têxteis, refletir criticamente sobre o universo das artes visuais na contemporaneidade, qualificar a formação de artistas e professores de arte e publicar um dossiê temático com aprofundamento teórico-prático para fortalecimento da pesquisa em artes e expor publicamente os processos de criação de seus 80 integrantes. É uma ação que vem rompendo os muros da universidade e das instituições ditas 'detentoras' do conhecimento estético e artístico", explica a coordenadora do projeto, Luciana Borre. 

Algumas ações estão em apresentações públicas. A primeira delas é a circulação da performance têxtil …AQUELE CHEIRO DO TEMPO, que já percorreu mais de 6 cidades no interior de Pernambuco, com longos vestidos de crochê que crescem a cada intervenção urbana. A segunda ação é a exposição de 40 obras têxteis no Centro Cultural, que também conta com ações de mediação cultural e oficinas de stop motion, quadrinhos e têxteis. 

“Para mim, é impactante sentir como as ações coletivas têm potencial para agregar interesses comuns e até algumas dissonâncias nos modos de pensar. Esse fazer, sentir e pensar o têxtil tem possibilitado a partilha do sensível, os encontros presentificados onde olhamos nos olhos uns dos outros, trocamos narrativas semelhantes e compartilhamos os desafios do cotidiano. A força política do projeto está justamente no poder que os compartilhamentos de vivências têm para rearranjar as formas de vida, de como podemos escolher transitar por lugares até então restritos e reconhecer que as relações afetivas tendem a se tornar mais latentes em nossas realidades. É ótimo discutir, por exemplo, como uma artesã, detentora de uma série de conhecimentos ancestrais, ainda tem o seu trabalho mal pago ou como o sistema dito ‘oficial’ da arte ainda faz circular discursos que excluem. Enfim, criar coletivamente e mostrar as nossas produções ao público agrega inúmeras aprendizagens que não partem somente da satisfação de estar um com o outro, mas das contrariedades que podem ser geradas”, conclui Luciana. 

Serviço

Tramações

Exposição: 1 a 3 de outubro, 9h às 12h e 14h às 17h.

Oficinas têxteis: 1, 2 e 3 de outubro, 9h às 11h30 e 14h às 17h.

Local: Centro Cultural Casa de Câmara e Cadeia, em Brejo da Madre de Deus.

Coordenação: Luciana Borre e Mônica Mendonça


Paulo André Leitão é jornalista

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