Por Paulo André Leitão
O alagoano Victor Yves é designer gráfico e diretor de arte. Atualmente mora no Canadá e trabalha em uma agência de propaganda. Victor estará no lançamento do seu livro Visual Culture of Northeast Brazil (Cultura Visual do Nordeste Brasileiro, em tradução literal), no Recife, sexta-feira (9). Com ele, estarão Valdila, neto do Mestre Dila e xilógrafo, e o DJ Dolores. Valdila vai ministrar uma oficina de xilogravura e, ao final, participará com o autor e Dolores de uma conversa sobre cordel.
O livro tem 700 páginas, é riquíssimo em ilustrações e, conforme está escrito no texto de apresentação a jornalistas, “não aborda o cordel como folclore, mas como um sistema de comunicação – onde a tipografia é improvisada, a imperfeição se torna assinatura e a escassez produz uma linguagem gráfica radical. Acompanha a xilogravura como forma de pensamento e a oralidade como forma de resistência”.
Ainda em Alagoas, Victor Yves me concedeu a entrevista a seguir.
Revista Araçá – Quando você começou a se interessar por cordel?
Victor Yves – Por ser de Arapiraca, era muito comum ter acesso ao cordel nas feiras de rua. Meu pai sempre me levava, mas nunca coletei o material com a intenção de produzir algo. O cordel sempre me atraiu visualmente, mesmo antes de escolher o design gráfico. Anos depois de formado, percebi que tinha um acervo digital de mais de oito mil cordéis.
Oito mil?
Sim, oito mil. Decidi catalogar esses cordéis de forma gratuita no site casca-archive.org, onde é possível acessar os autores facilmente. Foi quando me dei conta de que o cordel, como sistema gráfico, era muito pouco conhecido fora do Brasil e, mesmo no país, nunca foi reconhecido assim. Isso me causou um certo incômodo e decidi fazer um livro apresentando o cordel como um sistema visual gráfico extremamente rico.
No formato de um livro de arte?
Exato. O livro se chama Visual Culture of Northeast Brazil. Desde então, tanto a academia quanto o público externo têm reconhecido o cordel como um tesouro da tipografia. Minha intenção era focar na cultura visual e no sistema gráfico, para que mais pessoas investiguem a área, já que o cordel possui ainda outro universo, o da poesia, que carece de muito reconhecimento e estudo.
Você lançou primeiro em outros países e está trazendo para o Brasil agora?
Lançamos inicialmente no Canadá, onde vivo. Depois fizemos lançamentos em Tóquio, México e Estados Unidos. Agora o livro está na Alemanha e na Itália. Quis fazer o lançamento no Brasil começando por São Paulo. A versão internacional foi impressa na China, mas fiz questão de imprimir a versão brasileira no Brasil. Decidi colocar um complemento em português com a tradução do livro e ensaios de grandes autores sobre design gráfico e cordel: Chico Homem de Melo, Xico Sá, DJ Dolores, Isabelly Moreira, Eduardo Beu e Fausto Fawcett, Lirinha e Cristhiano Aguiar, além de um ensaio meu. Esse complemento foi impresso no formato de cordel pelo Valdila.
Você bancou tudo isso, financeiramente, sozinho?
Banquei cem por cento da operação. Produzi quinhentos exemplares na China, para o exterior, e quinhentos no Brasil. A versão internacional já foi totalmente vendida e estou produzindo um novo lote. Da versão brasileira, metade foi vendida e tenho a expectativa de vender os outros duzentos e cinquenta até o final do ano para fazer um novo lote.
Que critérios você utilizou para recolher, catalogar e selecionar o que iria para o livro?
Tive a consciência de focar no material que correspondia à minha área de conhecimento, que é design gráfico e direção de arte. Optei por selecionar os cordéis com base na variedade de produção e de tipografias. A ilustração está presente em quase todas as capas, mas a tipografia como sistema é mais tangível para análise. Os cordéis do livro focam na variedade gráfica e na aplicação de cor.
O livro será útil para quem estuda em cursos de nível superior, como design?
Tenho uma opinião muito forte sobre isso. Acredito que existe uma injustiça enorme com o cordel e seus artistas. A academia nunca usou o cordel como caso de sucesso de sistema visual gráfico brasileiro, o que é uma vergonha. O livro atende a essa necessidade, e espero que as universidades comecem a incluir essa parte riquíssima do nosso sistema gráfico em seus currículos. A academia também deve expandir os estudos em relação à poesia e aos contos.
Você já tem projetos de outros trabalhos relacionados ao cordel?
Eu adorei o projeto e a experiência. Fui recentemente à Ilha do Ferro, em Alagoas, e vi artistas incríveis. Estou animado com a possibilidade de produzir algo futuro voltado para essas manifestações populares.






































































































































































































































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