Por Ernesto Barros
Em 1981, Jomard Muniz de Brito multiplicou-se por toda parte: no Centro de Artes da UPFE e na UFPB, onde lecionava; deu palestras país afora e fez cinema sem parar, assinando ao menos oito filmes, entre eles A Lua Luta Por Lula, Amanhecendo (com Alceu Valença), Outras Cenas da Vida Brasileira (com Roberto de França, vulgo Pernalonga), Esperando João (sobre Anayde Beiriz, o pivô da morte de João Pessoa) e Noturno em Ré(cife) Maior (com o diretor de teatro Antônio Cadengue no papel de um vampiro).
Jomard sempre foi um boêmio inveterado, que atravessava as noites recifenses nessa época e em outras também – do Savoy ao Mustang, do Gambrinus ao Pátio de São Pedro, com a desenvoltura de um embaixador de todas as tribos. Aparentemente sem intenção, Noturno em Ré(cife) Maior é o mais jomardiano de todos os seus filmes. O vampiro de Antônio Cadengue passeia pelo Recife de capa preta, unhas pintadas de vermelho e um buquê de rosas murchas, em poses lânguidas e gritos de prazer.
Em um bar, encontra uma mulher (a fotógrafa Gleide Selma) e se atraca com ela em cima de uma mesa. Mas a maior parte do tempo persegue homens e gays nas mesas dos bares, nos banheiros, nos coretos, nas boates e nos trens da RFFSA. Por fim, é empalado por trás por uma versão da Justiça. “Eu sonho com a república, loura, gloriosa, superdesenvolvida... Terminou quando ela me enfiou sua espada redentora, essa república loura, vampira de todos nós”.
Um clássico absoluto da marginália-anarquista recifense!








































































































































































































































































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